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O deputado
estadual Aguinaldo Ribeiro está defendendo a transposição das
águas do Rio São Francisco, cujo projeto se encontra em fase de
implantação pelo governo federal. Ele lembra que a obra irá
abastecer cidades do interior, em especial as localizadas no
estado da Paraíba, "onde sequer há água para beber".
Aguínaldo critica aqueles que são contrários à transposição das
águas, observando que a obra é ecologicamente sustentável, já que
parte das águas do "Velho Chico" irão correr em leitos de rios
secos, devolvendo à região a flora e a fauna.
Ressalta ainda o deputado que a experiência no Brasil não é nova,
pois no passado as águas do Rio Paraíba do Sul, situado na Região
Sudeste, sofreram transposição. Atualmente, lembra o parlamentar,
as águas desviadas são responsáveis pelo abastecimento da região
metropolitana da cidade do Rio de Janeiro.
A transposição do rio São Francisco é uma discussão antiga no
governo federal. O projeto foi concebido inicialmente em 1985,
ainda no âmbito do extinto DNCOS (Departamento Nacional de Obras e
Saneamento). Em 1999, o projeto foi transferido para o âmbito do
Ministério da Integração Nacional. Atualmente, vários ministérios
acompanham as ações do projeto, assim como o Comitê da Bacia
Hidrográfica do Rio São Francisco - formado pela sociedade civil e
pelas três esferas de governo.
O projeto de transposição do rio São Francisco prevê a doação de
cerca de 60 metros cúbicos por segundo de vazão aos açudes e
pequenos rios da região. Segundo Aguinaldo Ribeiro, a água
armazenada vai permitir a interligação de açudes e manter o nível
de água em cada um deles - uma forma de garantir o sustento de
famílias que vivem na região.
PARA ENTENDER
Acabar com a seca e seus efeitos perversos sobre a economia local
é a principal razão da obra. Com um custo estimado em R$ 4,5
bilhões, bacias deficitárias da região vão receber uma pequena
parte da água do maior rio brasileiro (nasce e tem foz em
território brasileiro).
Por meio de dois canais, as regiões que sofrem com a seca terão
rios com maior capacidade, gerando oportunidades de subsistência e
trabalho, combatendo assim, a fome, a pobreza e a migração. O
governo afirma que as atividades econômicas do entorno da obra não
serão prejudicadas - ao contrário, serão incentivadas - e que a
transposição será paga com o custo de apenas duas secas.
Sem alternativas
Algumas alternativas para o combate à seca já são utilizadas no
Nordeste. São as cisternas, poços, açudes e adutoras. Mas, segundo
o Ministério da Integração Nacional, nenhuma delas trata do
problema com eficácia, funcionando apenas temporariamente.
Para o governo federal, nos açudes há perda excessiva de água; a
captação por meio dos poços são serve a todo tipo de terreno e as
cisternas não resultam em avanço econômico significativo.
O governo espera que as obras empreguem diretamente cerca de 5 mil
pessoas.
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